O PicPay, fintech controlada pela J&F, decidiu avançar em mais um movimento de diversificação de receitas e agora quer entrar oficialmente no mercado de apostas esportivas de quota fixa (bets) no Brasil. A operação será feita por meio da Nosso Time iGaming, subsidiária da holding não financeira PicPay Participações, que aguarda autorização da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), do Ministério da Fazenda.
Segundo informações divulgadas no prospecto de IPO protocolado nos Estados Unidos, o pedido de autorização foi realizado em maio de 2025, e a empresa está em processo de análise regulatória. O tema foi confirmado ao Finsiders Brasil pelo próprio PicPay, que detalhou parte de sua estratégia para o segmento.
O que o PicPay quer com a Nosso Time iGaming
A criação da Nosso Time iGaming faz parte de um plano mais amplo de expansão de produtos e monetização da base de clientes. Em resposta ao Finsiders Brasil, o PicPay afirmou que a empresa pretende atuar com apostas esportivas em grandes eventos, reforçando que o projeto será implementado com “todos os cuidados em relação ao jogo responsável e educação financeira”.
Ou seja: o posicionamento da companhia deixa claro que, além do potencial de receita do iGaming, a estratégia também tenta se apoiar em pilares de responsabilidade, prevenção de riscos e orientação ao usuário, uma pauta que vem ganhando relevância no mercado regulado.
Como funciona o mercado de apostas de quota fixa no Brasil
O mercado brasileiro de apostas de quota fixa foi instituído por lei em 2018, durante o governo Michel Temer, mas só passou a ter um conjunto robusto de regras publicado em 2024, com vigência a partir de 1º de janeiro de 2025, marcando o início efetivo do modelo regulado no país. Serviços e Informações do Brasil
Esse marco regulatório trouxe um novo cenário para empresas interessadas em atuar no setor, com exigências formais de autorização, regras de publicidade, proteção ao apostador e mecanismos de combate a operações ilegais.
O tamanho do setor: R$ 17,4 bilhões em receita e 78 empresas autorizadas
Com o mercado regulado já em funcionamento, a própria SPA divulgou um balanço que dá dimensão do potencial do segmento:
- R$ 17,4 bilhões em receita bruta no primeiro semestre de 2025
- 17,7 milhões de brasileiros realizaram apostas no período
- 78 empresas autorizadas e monitoradas pela secretaria
Esses números constam do levantamento oficial apresentado pela SPA em 26 de agosto de 2025 e reforçam o apetite do setor — e o motivo pelo qual fintechs e bancos digitais estão cada vez mais atentos ao iGaming. Agência Gov+1
Por que o PicPay vê o iGaming como uma “oportunidade significativa”
No prospecto apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), o PicPay descreve o mercado de apostas como uma “oportunidade significativa de retorno financeiro”, impulsionada por plataformas digitais focadas em eventos esportivos — além de ressaltar que o setor também funciona como fonte de arrecadação e desenvolvimento econômico.
A empresa também argumenta que as apostas de quota fixa ganharam relevância econômica e jurídica e destaca um ponto central do modelo:
na quota fixa, o apostador conhece previamente as condições e a taxa de retorno, o que garante transparência e previsibilidade.
Em termos práticos, isso é o que diferencia esse formato de apostas de outras modalidades que dependem de variações posteriores.
Engajamento e monetização: onde o iGaming se encaixa na estratégia do PicPay
O iGaming não surge isolado. Ele entra como parte de um conjunto de iniciativas do PicPay voltadas a engajar e monetizar sua base, que inclui:
- Marketplace
- Experiências
- Viagens
- Publicidade (ads)
- E agora, potencialmente, apostas esportivas reguladas
De acordo com a própria documentação, desde outubro de 2025 a fintech também vem oferecendo uma solução digital baseada em rifas mensais e prêmios instantâneos, que teria atraído mais de 700 mil consumidores em apenas dois meses.
Nesse contexto, o PicPay citou o lançamento da “Chave Premiada”, que incentiva usuários a registrar chave Pix, realizar transações e aumentar o uso dos recursos da plataforma — um modelo clássico de gamificação e retenção.
IPO na Nasdaq: o pano de fundo do movimento
A notícia sobre a bet chega no mesmo momento em que o PicPay retoma seu plano de abertura de capital. A fintech protocolou documentação para IPO na Nasdaq e, segundo reportagens recentes, busca levantar cerca de US$ 500 milhões. InvestNews+1
Os números operacionais apresentados indicam força de crescimento:
- 66 milhões de contas
- 42 milhões de usuários ativos
- lucro líquido de R$ 313,7 milhões entre janeiro e setembro de 2025 (alta de 82,4%)
- receita líquida de R$ 7,3 bilhões, crescimento de 92% no mesmo período
Caso a oferta avance, o IPO pode recolocar fintechs brasileiras no radar internacional, em um intervalo em que poucas empresas do setor voltaram ao mercado desde o IPO do Nubank em 2021.
O que muda se o PicPay receber autorização da SPA
Se a SPA aprovar o pedido, o PicPay passará a integrar o grupo de empresas aptas a operar apostas de quota fixa em âmbito nacional, entrando em um mercado que:
- é altamente competitivo,
- tem regras rígidas de compliance,
- exige controles fortes de prevenção à lavagem de dinheiro e jogo responsável,
- e está sob observação constante do regulador.
Além disso, o Brasil tem ampliado o cerco contra apostas ilegais, com bloqueios de sites e ações coordenadas para proteger o mercado autorizado. Agência Gov+1
Conclusão: PicPay aposta em diversificação e mira receita com iGaming
A iniciativa da Nosso Time iGaming mostra que o PicPay está disposto a disputar um dos segmentos mais promissores — e mais regulados — da economia digital brasileira. O movimento combina:
- potencial de receita do iGaming,
- estratégia de engajamento dentro do app,
- e narrativa de jogo responsável e educação financeira.
Com o IPO no horizonte, a entrada no setor de bets pode ser não apenas uma nova frente de monetização, mas também um sinal de ambição: transformar o PicPay em uma plataforma cada vez mais completa, diversificada e relevante na economia digital.
Essa notícia foi vista primeiro no Finsiders




