As bets ilegais seguem como um dos maiores desafios do mercado brasileiro de apostas. Um estudo inédito aponta que os operadores clandestinos já correspondem a praticamente metade do setor e movimentam cerca de R$ 40 bilhões por ano.
O levantamento, realizado pela TMC em parceria com o Instituto Esfera de Estudos e Inovação, também revela outro dado preocupante: oito em cada dez apostadores não sabem identificar se a plataforma em que estão jogando é legalizada.
Os números reforçam a dificuldade de fiscalização e mostram como o mercado ilegal ainda consegue competir com força mesmo após o avanço da regulamentação das apostas no Brasil.

Bets ilegais no Brasil confundem apostadores
Segundo o estudo, muitos sites ilegais conseguem reproduzir com facilidade a aparência, a linguagem e até os mecanismos operacionais das empresas regularizadas.
Na prática, isso dificulta que o usuário comum identifique se está apostando em uma plataforma autorizada ou em um operador clandestino.
Além de ampliar o risco para o consumidor, esse cenário também compromete os esforços de fiscalização e reduz a competitividade das empresas formalizadas.
61% dos apostadores já usaram plataformas clandestinas
Outro dado citado no levantamento mostra a dimensão do problema. Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 61% dos apostadores brasileiros já fizeram ao menos uma aposta ilegal no último ano.
O dado indica que o contato com plataformas clandestinas já faz parte da realidade de boa parte dos usuários, seja por falta de informação, seja por dificuldade de distinguir operadores legais dos irregulares.
Tributação sobre bets pode favorecer operadores ilegais
Durante evento realizado nesta terça-feira (24), representantes de empresas legalizadas divulgaram os dados do estudo e criticaram o modelo de tributação proposto pelo governo federal.
Segundo o setor, o chamado PL Antifacção prevê a cobrança de 15% sobre as transferências realizadas por pessoas físicas para operadoras de apostas.
Na visão das empresas regularizadas, essa medida pode enfraquecer ainda mais o mercado formal.
O que mudaria para quem aposta em plataformas legais
De acordo com o levantamento, a incidência dessa contribuição sobre depósitos feitos em empresas regularizadas reduziria o saldo disponível do apostador.
Na prática, um usuário que depositasse R$ 100 em uma plataforma formal teria apenas R$ 85 liberados para apostar.
Já nas bets ilegais, que não recolhem esse tipo de contribuição, o valor permaneceria integral.
Para o setor, esse desequilíbrio tributário pode estimular a migração de usuários para operadores clandestinos.
Mercado regulado pode perder competitividade
Representantes das empresas legalizadas defendem que o combate à ilegalidade precisa combinar fiscalização eficiente com racionalidade econômica.
Se as regras tornarem o ambiente regulado menos competitivo, a tendência é que parte dos apostadores busque alternativas fora do sistema formal.
Isso reduziria a arrecadação do Estado e também a proteção oferecida aos consumidores.
Instituto Esfera defende regulação mais equilibrada
Para Camila Funaro Camargo Dantas, CEO do Instituto Esfera de Estudos e Inovação, a regulação das apostas deve ser desenhada de forma a desestimular a ilegalidade, sem punir excessivamente as empresas autorizadas.
“Se o ambiente formal perde competitividade, o Estado deixa de arrecadar e a sociedade perde proteção. Queremos contribuir com perspectivas que desestimulem a ilegalidade e fortaleçam o mercado regulado”, afirmou.
Mercado de apostas no Brasil ainda enfrenta risco elevado
O estudo reforça que o mercado regulado de apostas no Brasil ainda convive com uma concorrência paralela extremamente relevante.
Com quase metade do setor nas mãos de operadores clandestinos, o desafio das autoridades e das empresas legalizadas será aumentar a capacidade de fiscalização, melhorar a informação ao usuário e evitar que medidas tributárias ampliem a vantagem do mercado ilegal.
Mais informações sobre a regulamentação do setor podem ser acompanhadas no site oficial do Ministério da Fazenda.




