Regulação

Hugo Motta afirma que CIDE-Bets foi retirada do PL Antifacção por “incompatibilidade técnica”

A proposta de criação da CIDE-Bets, um novo tributo sobre apostas online, foi retirada do texto final do Projeto de Lei nº 5.582/2025, conhecido como PL Antifacção. Segundo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), a exclusão ocorreu por “incompatibilidade técnica” e inviabilidade operacional.

A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Igor Gadelha. A medida previa a criação da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico sobre apostas online, com alíquota de 15% sobre os depósitos realizados por pessoas físicas em plataformas de apostas esportivas.

Neste artigo, você entende:

  • O que era a CIDE-Bets
  • Por que o tributo foi retirado
  • O impacto no mercado regulado de apostas
  • A posição do Ministério da Justiça
  • O que pode acontecer a partir de agora

O que era a CIDE-Bets?

A CIDE-Bets foi incluída inicialmente no texto do PL Antifacção pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da matéria no Senado Federal.

A proposta previa:

  • Taxação de 15% sobre os depósitos feitos por apostadores
  • Destinação dos recursos ao combate ao crime organizado
  • Estimativa de arrecadação baseada em um mercado de R$ 30 bilhões

O Senado aprovou a inclusão da contribuição em dezembro. No entanto, ao chegar à Câmara dos Deputados, o dispositivo acabou sendo retirado do texto.


Por que a Câmara retirou a CIDE-Bets?

Na Câmara, o relator do projeto foi Guilherme Derrite (PP-SP), que inicialmente também se posicionou favoravelmente ao tributo. Contudo, o próprio partido optou por retirar a cobrança por meio de destaque durante a votação.

Segundo Hugo Motta, a decisão não teve relação com proteção ao setor de apostas, mas sim com viabilidade técnica e econômica.

Ele argumentou que:

  • A operacionalização da cobrança seria considerada “impossível” pela equipe técnica do Ministério da Fazenda
  • A estimativa de arrecadação seria “irreal”
  • O aumento excessivo da carga tributária poderia fortalecer o mercado clandestino

De acordo com Motta, impor uma alíquota elevada poderia tornar inviável a operação das empresas legalizadas, incentivando a migração de usuários para plataformas ilegais — que não recolhem impostos nem compartilham dados com as autoridades.


Impacto no mercado regulado de apostas

O debate ocorre em um momento delicado para o setor. O mercado de apostas online no Brasil está em processo de consolidação regulatória, com exigências como:

  • Cadastro com CPF obrigatório
  • Compartilhamento de dados com autoridades
  • Pagamento de tributos federais
  • Regras de compliance e prevenção à lavagem de dinheiro

Segundo o presidente da Câmara, a Casa já aprovou aumento na tributação das empresas de apostas anteriormente, o que demonstraria que não há proteção ao setor.

A principal preocupação apontada foi o risco de:

  • Estimular a ilegalidade
  • Reduzir arrecadação efetiva
  • Criar distorções competitivas

Ministério da Justiça indica novos projetos

O ministro da Justiça, Wellington Lima, afirmou que o governo pode apresentar novas propostas voltadas ao financiamento do combate ao crime organizado.

Segundo ele, existe a possibilidade de:

  • Um novo projeto de lei focado exclusivamente em tributação do setor
  • Outras iniciativas paralelas ainda não detalhadas
  • Ajustes que conciliem responsabilidade fiscal e eficácia arrecadatória

O ministro também destacou que qualquer nova fonte de receita precisa respeitar critérios técnicos e fiscais.


CIDE-Bets pode voltar em outro projeto?

Sim. Como o Senado já havia dado parecer favorável à contribuição, a tendência é que o tema volte a ser debatido em proposta legislativa específica.

Deputados da base governista demonstraram insatisfação com a retirada do tributo do PL Antifacção, indicando que a discussão ainda está longe de terminar.


Debate sobre publicidade de apostas

Além da questão tributária, Hugo Motta também se posicionou recentemente contra a proibição total da publicidade de apostas no país.

O tema ganhou força após aprovação de proposta na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado. Contudo, segundo Motta, ainda não há consenso entre líderes partidários na Câmara.


O que está em jogo para o setor de apostas?

O debate sobre a CIDE-Bets envolve três pilares centrais:

  1. Arrecadação pública
  2. Combate ao crime organizado
  3. Equilíbrio do mercado regulado

Especialistas apontam que uma tributação excessiva pode:

  • Reduzir competitividade das empresas autorizadas
  • Aumentar a evasão para plataformas ilegais
  • Comprometer o processo de formalização do setor

Por outro lado, há pressão política por novas fontes de financiamento da segurança pública.


Conclusão

A retirada da CIDE-Bets do PL Antifacção foi justificada como uma decisão técnica e econômica, segundo o presidente da Câmara. O argumento central foi evitar a criação de um tributo considerado inviável e potencialmente prejudicial à consolidação do mercado regulado de apostas no Brasil.

Apesar disso, o tema permanece no radar do Congresso Nacional e pode retornar em um projeto específico nos próximos meses.

O debate sobre tributação das apostas online ainda deve gerar novos capítulos — especialmente diante do avanço da regulação e da necessidade de financiamento da segurança pública.

João das Bets

"Sou um escritor movido pela paixão por tecnologia, apostas e inteligência artificial. Adoro explorar e compartilhar conhecimentos, traduzindo ideias complexas em conteúdo acessível e inspirador. Sempre em busca de novas formas de conectar pessoas com inovação."

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