Nova plataforma pública para monitorar apostas ilegais
Um novo laboratório virtual dedicado ao combate ao mercado ilegal de apostas foi anunciado por órgãos da esfera federal, com a colaboração entre a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA-MF) e a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL). A iniciativa visa transformar a identificação, o monitoramento e o bloqueio de casas de apostas não licenciadas em um processo automatizado, reduzindo a dependência de intervenções manuais. O contexto acompanha a expansão de operações não regulamentadas que prejudicam consumidores, drenam recursos públicos e alimentam práticas ilícitas associadas ao ecossistema de apostas. A plataforma busca assegurar maior transparência, conformidade regulatória e proteção aos usuários, alinhando-se às metas de fiscalização mais robustas.
Objetivo e alcance
A proposta central do laboratório virtual para combate ao mercado ilegal de apostas é oferecer uma infraestrutura integrada capaz de detectar rapidamente domínios e plataformas suspeitas, aplicar bloqueios e encaminhar ações quando necessário. A iniciativa surge como complemento a atividades já em curso, ampliando o alcance de fiscalização com automação e dados em tempo real. A expectativa é modernizar o fluxo que antes dependia de análises manuais e de processos administrativos, tornando o sistema mais ágil e eficiente na identificação de sites que operam sem licença ou violam as regras vigentes.
Funcionalidade e operação
Segundo informações apresentadas pelos responsáveis, o laboratório em construção pretende operar já no mês corrente, substituindo etapas manuais por uma solução tecnológica capaz de monitorar continuamente a presença de novos domínios relacionados a apostas. O processo inclui a verificação de transações, como pagamentos digitais, e a captação de evidências para suporte a ações administrativas. A iniciativa também prevê a integração de imagens automáticas de páginas suspeitas e a identificação dos meios de pagamento usados pelos operadores ilegais, fortalecendo o rastreamento de atividades divergentes do marco regulatório.
Parcerias e participação institucional
Além da SPA-MF e da ANJL, o projeto inclui a participação de órgãos reguladores e entidades de autorregulamentação. O ecossistema abrange o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) e o Conselho Digital, que serão conectados ao laboratório para fornecer dados sobre campanhas algorítmicas ou campanhas de marketing associadas a atividades irregulares. O objetivo é criar uma rede de cooperação capaz de correlacionar campanhas, perfis e estratégias de divulgação com operações de apostas não licenciadas, ampliando as possibilidades de intervenção precoce e coibição. Essa linha de atuação também se alinha a iniciativas públicas para reforçar a integridade, como o grupo de trabalho para combater a manipulação de resultados esportivos.
Impacto esperado e metas
O ecossistema de fiscalização também contará com a colaboração de instituições financeiras para identificar perfis vinculados a atividades ilícitas. Instituições como a Febraban devem mapear padrões de fraude, enquanto o Banco Central do Brasil (BCB) e a Polícia Federal receberão alertas sobre transações suspeitas, contribuindo para investigações mais rápidas e eficientes no setor de apostas não regulamentadas. A meta anunciada inclui reduzir significativamente o peso do mercado offshore até 2030, com estimativas que apontam para uma diminuição de pelo menos metade do tamanho atual do segmento não regulamentado, conforme a trajetória pretendida pelas autoridades.
Aspectos técnicos e cooperação contínua
De acordo com as informações divulgadas, o laboratório foi desenvolvido com participação da empresa Intercity, apresentando um modelo de monitoramento em tempo real. O sistema é projetado para acompanhar o surgimento de novos domínios, capturar evidências visuais de páginas suspeitas e mapear as formas de pagamento utilizadas nesses ambientes. O conceito de “doze mãos” citado pelos organizadores indica a colaboração de múltiplas entidades públicas e privadas, ampliando a adesão de parceiros e fortalecendo o ecossistema de combate a fraudes no setor. A continuidade da cooperação deverá ampliar o alcance do laboratório, com possibilidades de inclusão de novos atores conforme houver interesse institucional e necessidade prática.




