O Ministério Público do Rio Grande do Sul, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO/MP-RS), encaminhou denúncia envolvendo o atacante Sebastião Ênio Santos de Almeida, no âmbito da Operação Totonero. O documento foi protocolado na Vara Criminal da Comarca de Caxias do Sul na sexta-feira, 30 de janeiro, e aponta indícios de fraude, manipulação de competição esportiva e lavagem de bens, direitos e valores.
Contexto da denúncia
A peça acusatória, assinada pelo Promotor de Justiça Manoel Figueiredo Antunes, sustenta que Ênio teria participado de um esquema de manipulação de resultados ligados a apostas no Brasileirão 2025, além de ocultar valores superiores a 1,9 milhão de reais obtidos de forma ilícita. O atleta, que atuou pelo Juventude no campeonato nacional, está atualmente emprestado à Chapecoense.
Ações suspeitas envolvendo as partidas investigadas
Conforme o Ministério Público, o jogador teria provocado a concessionária de cartões amarelos em duas partidas do Brasileirão 2025. Os duelos sob escrutínio são Juventude x Vitória (29 de março de 2025, no Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul) e Fortaleza x Juventude (8 de maio de 2025, no Estádio Presidente Vargas, em Fortaleza). A apuração aponta um pico anormal de apostas na modalidade “cartão de jogador” antes desses embates, o que alimenta a hipótese de conhecimento prévio sobre o desfecho de cada confronto. Alertas oficiais de possível manipulação teriam sido emitidos nesses jogos. Além disso, análises sobre esse tema podem ser encontradas em Manipulação de Resultados no Futebol Brasileiro: Como Apostas Suspeitas Minam a Confiança no Esporte.
Montante indevido e evidências
Segundo as investigações, Ênio teria recebido somas significativas em troca de favorecer os resultados em campo, ao mesmo tempo em que ocultava aproximadamente 2 milhões de reais obtidos por vias ilícitas. As provas reunidas pelo Ministério Público devem ser remetidas à Polícia Federal para aprofundar eventuais crimes conexos com alcance interestadual.
Impacto para Juventude e Chapecoense
O Juventude optou por não utilizar o atacante imediatamente após o segundo cartão suspeito, mas Ênio retornou a atuar nas fases finais do Brasileirão 2025. Mesmo com contrato de empréstimo com a Chapecoense, ele disputou apenas três das seis partidas previstas no Estadual de Santa Catarina de 2026 até o momento, sem participação na primeira rodada da edição nacional de 2026.
Defesa de Ênio e posicionamento institucional
Logo após a formalização da denúncia, o advogado de Ênio, Mozart Rodrigues Castello, encaminhou uma nota ao Globo Esporte para esclarecer pontos da investigação. O Juventude manteve reserva quanto a manifestações públicas, e a Chapecoense também não se manifestou até o momento. Na defesa, ressalta-se que o procedimento tramita sob sigilo, o que impede qualquer divulgação ampla antes de conclusões legais. Não há denúncia formal, acusação ou prova produzida até o momento, e o caso permanece em fase preliminar, sem formação de culpa.
A peça enfatiza ainda que a divulgação de informações parciais e fora do contexto processual pode gerar desinformação, prejudicando a imagem, a carreira e a vida pessoal do atleta, que não figura como réu nem responde a acusação formal até o estágio atual. A defesa reforça que o devido processo legal, a presunção de inocência e o sigilo processual devem nortear a apuração, assegurando que os fatos sejam elucidados no foro competente, com transparência e rigor técnico.
Histórico da Operação Totonero
Em 20 de maio de 2025, a Totonero foi deflagrada pelo GAECO/MP-RS, com mandados de busca e apreensão cumpridos na residência do jogador, em Caxias do Sul, e no estádio Alfredo Jaconi, pertencente ao Juventude. Dois meses depois, em junho de 2025, Ênio respondeu às acusações em entrevista ao Globo Esporte, negando qualquer contato ou orientação para a prática de irregularidades.
Próximos passos e cenário processual
O caso permanece em estágio preliminar, com o sigilo processual preservado até a existência de atos formais. A autoridade ministerial deve prosseguir com a instrução, coleta de novas provas e eventual oferecimento de denúncia, caso os elementos indiquem autoria e materialidade. Enquanto isso, as partes envolvidas, incluindo os clubes, devem acompanhar as diligências para assegurar o devido processo legal, a proteção da integridade desportiva e a responsabilização, se cabível, dentro dos limites legais.
Preservação da integridade e institucionalidade
Este episódio reitera a importância de mecanismos rigorosos de fiscalização no esporte profissional, bem como da cooperação entre órgãos de investigação, clubes e atletas para manter a integridade das competições. A Operação Totonero demonstra o papel do estado na preservação da lisura esportiva, destacando que qualquer indício de fraude ou lavagem de ativos envolve consequências legais severas e alcance institucional amplo.




