O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, voltou a colocar o setor de apostas online no centro do debate público. Em declaração recente, ele revelou que quase 300 mil brasileiros já recorreram à ferramenta de autoexclusão para bloquear o próprio acesso às plataformas de apostas e interromper o recebimento de publicidade relacionada ao jogo.
Diante desse cenário, o ministro defendeu que o Congresso Nacional avance na criação de uma sobretaxa específica para empresas de apostas, com recursos destinados diretamente ao financiamento de ações de saúde mental e segurança pública.
Proposta de sobretaxa para empresas de iGaming
Durante entrevista ao programa Bastidores CNN, Padilha afirmou que a atividade de apostas online movimenta valores expressivos e, por isso, deve assumir uma responsabilidade proporcional aos impactos sociais gerados.
Segundo o ministro, a lógica é clara:
✔ Regular é melhor do que proibir
Padilha reconheceu que o atual modelo de regulamentação representa um avanço em relação ao cenário anterior de insegurança jurídica.
✔ Mas a arrecadação precisa ter destino social
Para ele, parte dos recursos gerados pelo setor deve ser direcionada obrigatoriamente para:
- Fortalecimento da saúde mental
- Ampliação da rede de atendimento psicológico
- Reforço das ações de segurança pública
“É uma atividade que está gerando muito recurso, não tem como você impedir. Regular é melhor do que tentar impedir, mas esses recursos têm que ser destinados para reforçar as ações de segurança pública e as áreas da saúde também”, declarou o ministro.
300 mil autoexclusões: um sinal de alerta
Um dos pontos mais impactantes da fala do ministro foi a divulgação do número de autoexclusões registradas até o momento.
A ferramenta de autoexclusão permite que o próprio usuário:
- Bloqueie seu acesso às plataformas de apostas
- Interrompa o recebimento de campanhas publicitárias
- Suspenda temporariamente ou permanentemente sua conta
O dado de quase 300 mil solicitações revela, segundo o Ministério da Saúde, uma crescente preocupação com o jogo compulsivo no país.
Novo serviço de teleatendimento para transtornos de jogo
Como resposta ao aumento da demanda, o Ministério da Saúde anunciou a implementação de um sistema inédito de teleatendimento voltado exclusivamente para transtornos relacionados ao jogo.
Por que criar um atendimento remoto?
Os dados de 2025 mostraram baixa procura por tratamento presencial:
- Menos de 10 mil pessoas buscaram ajuda nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) ao longo de todo o ano.
Na avaliação do ministro, fatores como:
- Vergonha
- Estigma social
- Medo de exposição
acabam afastando pacientes das unidades físicas.
Como funcionará o novo modelo?
O novo canal permitirá:
- Atendimento remoto com psicólogos
- Consultas online com psiquiatras
- Maior privacidade e conforto para os pacientes
- Redução da barreira inicial para buscar ajuda
A expectativa é que o formato digital aumente significativamente o acesso ao tratamento.
Regulação, responsabilidade e impacto econômico
Padilha classificou como “muito grave” qualquer resistência do Legislativo em avançar na tributação do setor. Para ele, a regulamentação precisa ir além da formalização da atividade e contemplar uma destinação estratégica dos recursos arrecadados.
O argumento central do ministro se baseia em três pilares:
1️⃣ A atividade é economicamente relevante
O setor de apostas movimenta bilhões e já faz parte da realidade do país.
2️⃣ A proibição não é solução
Tentar impedir a atividade não eliminaria sua existência.
3️⃣ A contrapartida social é necessária
Parte da receita deve retornar à sociedade, especialmente em áreas sensíveis como saúde mental e segurança.
O debate que deve ganhar força no Congresso
Com a consolidação do mercado regulado no Brasil, a discussão sobre a destinação da arrecadação tende a se intensificar.
Entre os pontos que devem ser debatidos estão:
- Percentual da nova sobretaxa
- Modelo de arrecadação
- Critérios de distribuição dos recursos
- Fiscalização da aplicação das verbas
O tema conecta regulação econômica, responsabilidade social e políticas públicas de saúde — um tripé que tende a influenciar os próximos passos do setor no país.
Saúde mental e apostas: um desafio estrutural
O crescimento das apostas online trouxe novas oportunidades econômicas, mas também desafios relacionados ao comportamento de risco e à compulsão.
A criação de mecanismos como:
- Autoexclusão
- Limites de depósito
- Controle de publicidade
- Atendimento psicológico especializado
faz parte de uma abordagem mais ampla para equilibrar desenvolvimento do setor e proteção ao consumidor.
Conclusão
A declaração do ministro Alexandre Padilha reforça que o debate sobre apostas no Brasil já ultrapassou a fase da legalização e entrou em uma nova etapa: a discussão sobre responsabilidade social e destinação de recursos.
Com 300 mil autoexclusões registradas e a implementação de um novo serviço de teleatendimento, o governo sinaliza que pretende tratar o tema como uma questão de saúde pública.
Agora, a decisão sobre a criação de uma sobretaxa específica e o financiamento estruturado dessas ações dependerá do avanço das discussões no Congresso Nacional.




