Patrocínio de casas de apostas no Brasileirão em 2026: cenário, impactos e caminhos
O patrocínio de casas de apostas no Brasileirão tem passado por mudanças relevantes em 2026, com apenas 12 das 20 equipes da Série A mantendo acordo máster com esse tipo de parceiro até o momento, representando uma queda de cerca de 33% frente à temporada anterior. Esse recuo evidencia um momento de reavaliação financeira e institucional no futebol brasileiro, onde a presença de marcas do setor de apostas passa por ajustes diante de novos cenários de regulação e de cobrança por maior racionalidade econômica. Em reportagem do Globo Esporte, a conjuntura é destacada como um indicativo de ajuste setorial.
Queda no protagonismo dos patrocínios master em 2026
Entre as mudanças observadas, clubes como Bahia, Coritiba, Grêmio, Internacional, Santos e Vasco da Gama romperam ou não renovaram o contrato principal com uma casa de apostas, buscando outras alternativas de patrocínio. Leia sobre o caso do Bahia, que rompeu com Viva Sorte Bet: Bahia rompe com Viva Sorte Bet: impacto no patrocínio e próximos passos. Por outro lado, o Red Bull Bragantino e o Mirassol decidiram manter espaços de visibilidade com marcas distintas no espaço principal da camisa, optando por Red Bull e Guaraná Poty, respectivamente, para a vitrine principal da equipe. Em cobertura da Folha de S.Paulo – Esporte, o reposicionamento é visto como parte de uma diversificação de patrocínios.
A visão de um especialista: ajuste setorial no futebol
Michel Fauze Mattar, professor da FIA Business School, descreve o momento como um ajuste setorial, não uma debandada. Segundo ele, a carência momentânea de patrocínios máster resulta da saturação do setor de apostas no futebol, das mudanças regulatórias que elevaram custos e riscos para as empresas anunciantes, e de uma reavaliação de mercado após um ciclo de valorização inflacionada artificialmente. Essa leitura foi compartilhada em entrevista ao SBC Notícias Brasil. Em análise publicada pela Folha de S.Paulo — Esporte, a leitura ganha uma cor adicional.
Como clubes podem enfrentar o cenário sem patrocínio máster
Para os clubes, o desafio é sustentar receitas sem depender exclusivamente de um único contrato principal. A tendência aponta para uma diversificação de patrocinadores, o aumento de pacotes comerciais, e a busca por rentabilizar ativos institucionais de forma mais ampla. Além disso, há a necessidade de uma gestão financeira mais disciplinada, com controle de custos e uma abordagem mais racional de investimentos, para equilibrar receitas recorrentes com despesas operacionais. O caminho sugerido envolve explorar novas parcerias, ampliar a monetização de conteúdos, mídia e ativos próprios, bem como expandir a atuação da marca em mercados nacionais e internacionais. Em reportagem do Globo Esporte, são apresentadas estratégias para aumentar a diversificação de receitas e reduzir a dependência de patrocínio único.
O novo Sistema de Sustentabilidade Financeira do Futebol Brasileiro (SSF)
A temporada de 2026 marca a implementação de um novo mecanismo de fair play financeiro, o SSF, elaborado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O objetivo é criar uma relação mais estável entre receitas e despesas dos clubes, promovendo uma monetização mais sofisticada da relação com o torcedor e uma melhor exploração de mídia, conteúdos e ativos da própria instituição. O SSF intensifica o controle de custos, com foco especial na folha salarial, e incentiva a internacionalização da marca, a atuação em novos mercados e a gestão mais eficiente de formação de talentos. Embora as sanções mais severas, como perda de pontos ou rebaixamento, entrem em vigor apenas a partir de 2028, as dívidas anteriores a 2026 devem ser regularizadas até novembro de 2026.
Segundo Mattar, essa mudança regulatória torna a sustentabilidade financeira condição necessária para a competitividade esportiva. Em sua visão, clubes devem alinhar geração de receitas, gestão de custos e investimento estratégico, reduzindo a dependência de receitas pontuais de patrocínio e fortalecendo a relação com os torcedores por meio de estratégias de monetização mais maduras. Esse movimento não é apenas uma opção, mas uma exigência regulatória para continuar competindo em alto nível. A análise também é destacada pela Folha de S.Paulo — Esporte.
Michel Fauze Mattar é formado em Educação Física pela USP, com mestrado em Administração, MBA em Marketing pela FIA e duas décadas de atuação em gestão esportiva. Sua experiência inclui passagens pela Federação Paulista de Futebol, pela Confederação Brasileira de Futebol, além de atuação em clubes e programas de gestão e negócios do esporte. Atualmente, ele lidera projetos de treinamento executivo, pesquisa e consultoria na FIA Business School, coordena o PROESPORTE – Programa de Gestão e Negócios do Esporte e é autor de obras sobre gestão no futebol brasileiro. Sua análise – que une prática de gestão, governança e estratégias de patrocínio – oferece um panorama claro sobre as mudanças que impactam clubes, torcedores e patrocinadores no cenário atual.



