Durante o CGS Rio 2026, realizado em 2 de março, a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda (SPA/MF) apresentou dados exclusivos sobre o primeiro ano completo de vigência do mercado regulado de apostas de quota fixa no Brasil.
A apresentação trouxe números relevantes sobre base de usuários, volume financeiro, arrecadação social, combate ao mercado ilegal e medidas de prevenção à lavagem de dinheiro — consolidando um panorama oficial do setor após a regulamentação.
25 milhões de apostadores únicos e 87 milhões de contas ativas
De acordo com os representantes da SPA, Fabio Macorin e Carlos Xavier de Resende, o mercado regulado registrou:
📌 25 milhões de apostadores únicos
Usuários identificados por CPF nas plataformas licenciadas.
📌 87 milhões de contas ativas
Considerando múltiplas marcas operadas por diferentes grupos econômicos.
📌 Mais de 100 milhões de contas no total
Incluindo contas inativas ou já encerradas.
Os dados revelam a dimensão da adesão ao mercado regulado logo em seu primeiro ano de funcionamento estruturado.
Perfil do apostador brasileiro
A SPA também apresentou informações demográficas relevantes:
- Predominância do público masculino
- Maior concentração de usuários na faixa etária entre 30 e 40 anos
Esses dados ajudam a compreender o comportamento do consumidor e a orientar tanto políticas públicas quanto estratégias de mercado.
GGR atinge R$ 37 bilhões no acumulado anual
Outro destaque da apresentação foi o volume financeiro movimentado pelo setor.
O Gross Gaming Revenue (GGR) acumulado ao longo do ano atingiu aproximadamente:
💰 R$ 37 bilhões
A evolução trimestral foi apresentada da seguinte forma:
- 1º trimestre: R$ 7,5 bilhões
- 2º trimestre: R$ 18 bilhões (acumulado)
- 3º trimestre: R$ 27 bilhões (acumulado)
- 4º trimestre: R$ 37 bilhões (acumulado anual)
O crescimento progressivo demonstra a consolidação do mercado ao longo dos meses.
R$ 4,5 bilhões destinados a finalidades sociais
Do total do GGR, cerca de 12% foram destinados a finalidades sociais, excluindo impostos e taxa de fiscalização.
O valor total destinado alcançou:
📊 R$ 4,5 bilhões
A distribuição desses recursos segue as regras estabelecidas pelo marco regulatório, contemplando áreas como:
- Esporte
- Turismo
- Segurança pública
- Educação
- Saúde
Segundo Fabio Macorin, a partir de 2026 os dados do setor passarão a ser divulgados com maior frequência e de forma automatizada, ampliando a transparência e reduzindo a dependência de anúncios pontuais em eventos.
Combate ao mercado ilegal: 25 mil sites bloqueados
A SPA informou que aproximadamente 25 mil endereços de plataformas ilegais já foram derrubados desde o início da fiscalização estruturada.
Para fortalecer esse trabalho, a secretaria firmou acordos com:
- Anatel
- Autoridade Nacional de Jogo Legalizado
- Conselho Digital (Google, Meta, TikTok e Kwai)
Além disso, foi criado um laboratório virtual para rastrear e bloquear plataformas ilegais, integrando monitoramento de pagamentos e identificação de dados suspeitos.
Regulamentação de fornecedores B2B
A SPA também publicou minuta para regulamentar fornecedores B2B do setor, com previsão de:
- Registro obrigatório a partir de 2026
- Exigência de presença legal no Brasil
- Autorização apenas para empresas devidamente registradas
Em 2025, as ações de fiscalização resultaram em:
⚖ 132 processos instaurados contra operadores
O objetivo é fechar brechas regulatórias e impedir que empresas não autorizadas atuem no mercado brasileiro.
Plataforma de Autoexclusão já ultrapassa 326 mil inscritos
Outro dado relevante divulgado durante o evento foi o crescimento da Plataforma Centralizada de Autoexclusão.
Até o momento, mais de:
🚫 326 mil pessoas aderiram ao sistema
Entre os principais motivos declarados pelos usuários:
- 36,8%: perda de controle
- 10%: dificuldades financeiras
- 24%: prevenção ao uso indevido de dados
A ferramenta permite que o cidadão bloqueie seu acesso às plataformas licenciadas, reforçando a política de jogo responsável no país.
Lavagem de dinheiro: setor privado é peça-chave
Encerrando a apresentação, Carlos Renato de Resende, coordenador-geral de Monitoramento de Lavagem de Dinheiro, destacou que o combate ao mercado ilegal exige colaboração ativa da indústria.
Segundo ele, a responsabilidade não é exclusiva da SPA.
Entre os pontos enfatizados:
- Participação ativa de provedores de pagamento
- Denúncia de uso indevido de marcas
- Compartilhamento de informações qualificadas
- Ações judiciais contra operadores ilegais
Resende reforçou que o mercado ilegal frequentemente se conecta a atividades como tráfico, contrabando e esquemas de lavagem de dinheiro, tornando essencial a cooperação entre setor público e privado.
Transparência e consolidação do mercado regulado
Os números apresentados no CGS Rio 2026 mostram que o mercado regulado brasileiro já opera em escala significativa, com alto volume financeiro, milhões de usuários e mecanismos estruturados de fiscalização.
Ao mesmo tempo, os desafios permanecem:
- Combate contínuo ao mercado ilegal
- Fortalecimento de políticas de jogo responsável
- Monitoramento financeiro rigoroso
- Aperfeiçoamento da transparência
Com a promessa de divulgação automática e periódica dos indicadores a partir de 2026, a tendência é que o setor entre em uma fase de maturidade ainda maior, baseada em dados públicos e fiscalização constante.
O primeiro ano do mercado regulado deixa claro: o Brasil já é um dos principais polos globais de apostas esportivas — agora sob um modelo formal, tributado e supervisionado.




