Reunião entre Lula e o Procurador-Geral reforça exigência de rigor em investigações sobre bancos e casas de apostas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve contato com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, para enfatizar a necessidade de rigor técnico nas investigações envolvendo o setor de bancos e o mercado de apostas. A orientação busca assegurar que apurações dessa natureza sejam conduzidas com critérios legais rigorosos, embasadas em evidências sólidas e devidamente avaliadas pela esfera jurídica.
Segundo apuração de fontes próximas, o encontro ocorreu na manhã da última quinta-feira, 12 de fevereiro, é não constou na agenda oficial publicada pela Presidência. As informações indicam que a reunião foi previamente acertada em 2 de fevereiro, num momento em que circles do ambiente político comentavam possíveis vínculos entre magistrados do Supremo Tribunal Federal e um empresário ligado a operações de crédito.
O episódio envolve o Banco Master e o impacto de suspeitas de fraude financeira que, conforme relatos, atingem milhares de pessoas e geram prejuízos significativos aos cofres do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Embora não haja confirmação direta de que o caso citado seja o do Banco Master, o tom das conversas aponta para uma preocupação presidencial com as grandes investigações envolvendo instituições financeiras e casas de apostas, áreas de grande repercussão pública.
Além disso, o Palácio do Planalto tem buscado manter distância de desdobramentos que envolvam o Banco Master e integrantes do STF, para evitar que a crise tenha reflexos diretos sobre o Poder Executivo. Esse cuidado decorre da percepção de que o desdobramento de tais controvérsias pode complicar a atuação governamental e a condução de políticas públicas em meio a pressões políticas e judiciais.
Paralelamente, Lula tem se posicionado de forma contundente em relação à indústria de apostas e jogos online, Lula ataca apostas online: governo planeja decreto rígido. Em pronunciamento recente, o presidente sinalizou que adotará medidas firmes para restringir práticas consideradas prejudiciais ao consumidor e ao sistema financeiro, avaliando ações que vão desde o endurecimento de regulações até passos de caráter institucional para coibir abusos.
Contexto jurídico e desdobramentos no STF
O panorama envolvendo o STF ganhou contornos relevantes a partir de uma decisão que retirou o relator Dias Toffoli do caso relacionado ao Banco Master. Toffoli presidia o rito até a noite do dia 12 de fevereiro, quando, em função de uma reunião de caráter emergencial, deixou a relatoria. A avaliação interna do Tribunal ocorreu após a Polícia Federal entregar um relatório com indícios de contato entre Toffoli, Vorcaro e o empresário envolvido no setor financeiro.
Segundo os apontamentos da PF, a empresa Maridt, da qual Toffoli fazia parte de seu quadro societário, participou de operações que envolveram a venda de participação societária de Tayaya Ribeirão Claro para fundos de investimento ligados a Vorcaro. A gestão das operações e a participação de parentes do ministro foram alvo de explicações formais para esclarecer potenciais conflitos de interesse.
Em resposta, o STF divulgou nota do próprio Toffoli na qual ele reforça que a Maridt é uma empresa familiar, com participação de membros da família, e que, conforme a legislação, ele pode integrar o quadro societário sem exercer funções de gestão. O ministro frisou que não manteve relações de amizade, muito menos relações financeiras indevidas com Vorcaro ou com o cunhado deste, Fabiano Zettel, negando qualquer recebimento de valores.
A nota descreve ainda que a Maridt participou de reorganizações societárias relacionadas ao grupo Tayaya Ribeirão Claro, com a venda de participações ao Fundo Arllen e posteriormente à PHD Holding. O ministro destacou que todas as informações foram devidamente declaradas à Receita Federal, não havendo irregularidades contábeis ou fiscais associadas às suas declarações.
Quanto ao andamento do processo do Banco Master, o caso foi distribuído ao ministro Dias Toffoli no final de novembro de 2025, datando de um momento anterior à conclusão de que a Maridt não integrava mais o conjunto empresarial desde 2025. Em função das novas informações, o ministro André Mendonça assumiu a relatoria após um sorteio, mantendo o rito em curso e preservando a possibilidade de contestação de eventuais suspeições pela defesa de Vorcaro.
Com a continuidade do escrutínio judicial, o STF manteve a posição de não acolher pedidos de suspeição que pudessem impactar a condução do processo, ressaltando a importância de decisões independentes e fundamentadas. Em meio a esse quadro, o Executivo reforça a necessidade de demonstrar responsabilidade institucional e cooperação com o poder Judiciário, assegurando que as investigações sigam o caminho da legalidade e da proporcionalidade.
Ao longo das últimas semanas, o tom entre o governo e setores jurídicos tem enfatizado a necessidade de uma atuação firme contra irregularidades no setor financeiro e de apostas, sem comprometer o devido processo legal. Além disso, Governo cria grupo de trabalho para combater manipulação de resultados esportivos e reforçar a integridade.




