O mercado de apostas da França encerrou 2025 com a maior receita bruta de sua história: € 14,1 bilhões, crescimento de 3% em relação ao ano anterior. O resultado foi divulgado pela autoridade reguladora francesa e coloca o país entre as cinco maiores potências do setor na Europa, ao lado de Reino Unido e Itália. O dado mais relevante, porém, não é apenas o tamanho do número — é o que ele revela sobre a força de um mercado organizado, digitalizado e sob supervisão regulatória consistente.
Digital puxa o crescimento e muda o perfil do apostador francês
O principal motor do recorde foi o avanço das plataformas online. O ambiente digital já representa 18,5% de toda a receita do setor na França, somando € 2,61 bilhões em 2025. Para um mercado que ainda conta com forte presença física, esse percentual indica uma transformação estrutural em curso — e acelerada.
Dentro do universo digital, as apostas esportivas dominam com folga. O futebol lidera isolado, movimentando € 6,32 bilhões ao longo do ano, beneficiado em parte pelo novo formato da Liga dos Campeões da UEFA. O tênis também registrou crescimento expressivo no interesse dos apostadores.
Outro fenômeno relevante é a chamada “multiatividade”: a base de usuários únicos na internet chegou a 4,2 milhões de pessoas, e cada vez mais esse público divide seu orçamento entre apostas esportivas, poker e corridas de cavalos. O apostador que se concentra em uma única modalidade está perdendo espaço para um perfil mais diversificado e engajado.
Esse comportamento é um sinal positivo para a saúde do mercado. Quanto mais variada a oferta e mais informado o consumidor, menor a dependência de um único evento ou produto — o que torna o setor mais resiliente. Vale lembrar que o resultado de 2025 foi alcançado sem nenhum grande torneio de seleções, o que reforça a sustentabilidade do modelo.
Concentração e desafios: FDJ domina, PMU precisa se reinventar
O balanço do setor também expõe assimetrias importantes entre os principais operadores. A estatal FDJ mantém sua posição dominante, respondendo por 49,2% de toda a receita do mercado francês. A estabilidade das loterias segue como base do seu negócio, mesmo que a operadora enfrente dificuldades em suas iniciativas digitais fora da França.
Do outro lado, a PMU — focada em apostas hípicas — acumula mais um ano difícil, com queda nas apostas e redução da base de clientes. A operadora já reconhece a necessidade de uma reestruturação significativa até 2030 para continuar competitiva em um mercado cada vez mais orientado ao digital e ao esporte.
No varejo físico, o cenário é misto. Os cassinos tradicionais voltaram a crescer, mas os clubes de jogos de Paris sofreram uma queda de 21% no faturamento, reflexo de fechamentos temporários no início do ano. Isso reforça a importância da diversificação de canais para qualquer operador que queira atravessar momentos de instabilidade sem grandes perdas.
No Brasil, o debate sobre regulação e concentração de mercado também avança. A pressão para que plataformas de apostas regulamentadas estejam acessíveis em todos os dispositivos — inclusive em sistemas como o iOS — é parte desse mesmo movimento de amadurecimento do setor.
2026 será o ano mais desafiador para o setor na França
O crescimento de 2025 não apaga os desafios que se acumulam para o próximo ciclo. Em julho de 2025, o governo francês aprovou um aumento de impostos sobre o setor, cujo impacto financeiro integral será sentido pelas operadoras apenas em 2026. Trata-se de um teste real para a resiliência do modelo regulado.
Além da pressão tributária, o mercado francês terá de lidar com a chegada de novos concorrentes, avaliar o real impacto comercial da Copa do Mundo de 2026 — que deve ser o maior evento do calendário esportivo — e garantir conformidade com as novas regras para os chamados JONUM: jogos com objetos digitais monetizáveis, um mercado emergente que começa a ganhar contorno regulatório na Europa.
Esse conjunto de fatores torna 2026 um ano de definição. Operadoras que investiram em tecnologia, compliance e diversificação de produto estarão mais preparadas para crescer. As que postergaram essas adaptações enfrentarão pressão crescente.
O exemplo francês é didático também para o Brasil. Assim como na França, o controle sobre quem pode e quem não pode operar no mercado é fundamental para que o apostador tenha garantias reais de segurança, transparência e suporte. Regulação não é obstáculo ao crescimento — como os números de 2025 demonstram, ela é parte do que viabiliza esse crescimento.
Para acompanhar de perto a evolução do setor e entender como os dados internacionais se conectam ao mercado brasileiro, o relatório completo sobre o mercado francês em 2025 traz um panorama detalhado publicado pelo iGaming Brazil.
Perguntas Frequentes
Por que o mercado de apostas da França cresceu mesmo sem grandes torneios de seleções em 2025?
O crescimento se deve principalmente à expansão das plataformas digitais e ao aumento da base de usuários online, que chegou a 4,2 milhões. O setor demonstrou maturidade ao sustentar o ritmo de expansão independentemente do calendário de grandes eventos.
O modelo regulado francês pode servir de referência para o Brasil?
Sim. O caso francês mostra que um ambiente bem regulado favorece tanto o crescimento do mercado quanto a proteção do consumidor. O Brasil segue caminho semelhante com sua própria regulamentação de apostas esportivas, que busca organizar e profissionalizar o setor.




