Regulação

Bets ilegais representam até 50% do mercado no Brasil


As bets ilegais podem responder por até metade de todo o mercado de apostas esportivas no Brasil. A estimativa é do advogado Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), em entrevista à Folha de S.Paulo publicada no último sábado (25). O cenário, segundo ele, explica por que operações policiais como a Narco Fluxo — que resultou na prisão de mais de 30 pessoas, incluindo o funkeiro MC Ryan SP — não chegam como surpresa para o setor.

Mercado ilegal pode valer mais de R$ 29 bilhões

As empresas de apostas credenciadas pelo governo federal registraram rendimento bruto de R$ 37 bilhões em 2024. Se as estimativas da ANJL estiverem corretas — e o setor clandestino representar entre 40% e 50% do total —, o mercado ilegal movimentaria algo a partir de R$ 29,6 bilhões por ano.

Plínio Lemos Jorge ressalva que precisão é difícil nesse tipo de levantamento, já que, por definição, operações ilegais não reportam dados. Ainda assim, o executivo aponta que outros estudos chegam a conclusões semelhantes. A empresa Yield Sec estimou que, no segundo trimestre do ano passado, o volume ilegal teria superado o das plataformas regulamentadas. Já a consultoria H2 Gambling Capital situou a participação ilegal em torno de 30%. A ANJL trabalha com uma média de pelo menos 40%.

Esses números colocam o problema em perspectiva: o Brasil não enfrenta apenas um desafio de fiscalização pontual, mas uma disputa estrutural entre o mercado regulado e uma sombra paralela de proporções bilionárias.

Bets ilegais são o principal risco de imagem do setor regulado

Para a ANJL, o maior problema das operadoras legais hoje não é apenas financeiro. É de reputação. Segundo Plínio, toda vez que uma investigação policial associa apostas a crimes, quem paga a conta da percepção negativa é o setor inteiro — inclusive quem opera dentro da lei.

“A gente reputa todos os problemas que o setor regulado enfrenta ao operador ilegal”, afirmou o presidente da entidade. A lógica é direta: fraudes, manipulação de odds, acesso de menores e lavagem de dinheiro são práticas associadas a plataformas não autorizadas, não ao ecossistema regulamentado.

O combate ao setor clandestino tem avançado em frentes distintas. A Anatel já bloqueou cerca de 38 mil sites ilegais — 30 mil no ano passado e outros 8 mil em 2025. Mas o bloqueio de domínios, por si só, não resolve o problema. A ANJL atua também pelo bloqueio de meios de pagamento, com aproximadamente 300 gateways ilegais em processo de interdição.

Já escrevemos sobre como o governo federal vem atuando nessa frente: 27 empresas de apostas ilegais foram barradas pelo governo em uma das etapas do processo de limpeza do mercado. A tendência é que as ações se intensifiquem.

O que as bets regulamentadas fazem para proteger o apostador

Enquanto plataformas ilegais operam sem qualquer controle, as operadoras licenciadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) seguem um conjunto rigoroso de exigências. Entre elas, a obrigatoriedade de manter um setor de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (PLD), com monitoramento de todas as transações realizadas na plataforma.

O processo começa já no cadastro: o apostador precisa passar por verificação de identidade antes de operar. Movimentações atípicas são reportadas às autoridades competentes. Há limites operacionais e mecanismos de jogo responsável. Nada disso existe em uma bet clandestina.

Para o apostador, a diferença é concreta: em uma plataforma regulada, ele tem respaldo jurídico, pode recorrer a canais oficiais em caso de disputa e sabe que a operadora passou por auditoria antes de receber sua licença. Em uma plataforma ilegal, não há nenhuma dessas garantias — e o risco de golpe, conforme alertam as investigações em curso, é real.

A Polícia Federal sinalizou que a Narco Fluxo não será a última operação do tipo. Mais investigações estão a caminho. Isso reforça o argumento de que a regulamentação não é um obstáculo ao mercado — é o que distingue um setor de entretenimento legítimo de um ambiente propício ao crime.

Para entender melhor como o arcabouço regulatório brasileiro foi construído e o que ainda está em debate, vale conferir nossa análise sobre a regulação de bets no Brasil e os limites do modelo atual.

O apostador consciente escolhe plataformas legais

O tamanho do mercado ilegal é também um reflexo de comportamento do consumidor. Parte dos apostadores ainda migra para sites não autorizados em busca de odds mais atrativas ou menor burocracia no cadastro. Mas o que parece vantagem no curto prazo pode representar um risco sério: desde perda de depósitos sem possibilidade de recurso até o envolvimento involuntário em transações investigadas por autoridades.

A mensagem da ANJL e das autoridades regulatórias é clara: apostar em plataformas autorizadas é a única forma de ter segurança jurídica e proteção real. O combate às bets ilegais, portanto, não prejudica o apostador — pelo contrário, é o que garante que o mercado continue funcionando de forma justa e transparente para quem escolhe o entretenimento dentro da lei.

A reportagem original foi veiculada pelo BNLData, com base em entrevista concedida à Folha de S.Paulo.

Perguntas Frequentes

Como saber se uma casa de apostas e legal no Brasil?

Uma bet regulamentada deve ter licenca concedida pela Secretaria de Premios e Apostas (SPA) do Ministerio da Fazenda. Voce pode consultar a lista de operadoras autorizadas diretamente no site oficial do governo federal.

Quais os riscos de apostar em uma bet ilegal?

Plataformas ilegais nao oferecem protecao juridica ao apostador, podem manipular odds, nao garantem o pagamento de premios e frequentemente estao associadas a esquemas de fraude e lavagem de dinheiro. Ao apostar em sites nao autorizados, o usuario fica completamente desprotegido.

O que o governo tem feito para combater as bets ilegais?

A Anatel ja bloqueou mais de 38 mil sites ilegais. Alem disso, o Banco Central e a SPA trabalham no bloqueio de meios de pagamento utilizados por plataformas clandestinas. Operacoes da Policia Federal, como a Narco Fluxo, tambem apuram crimes associados ao setor ilegal.

João das Bets

"Sou um escritor movido pela paixão por tecnologia, apostas e inteligência artificial. Adoro explorar e compartilhar conhecimentos, traduzindo ideias complexas em conteúdo acessível e inspirador. Sempre em busca de novas formas de conectar pessoas com inovação."

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