A Entain, grupo dono das marcas Ladbrokes e Coral, pediu formalmente ao Regulador Independente do Futebol Inglês (IFR) que proíba acordos comerciais entre clubes da Premier League e casas de apostas ilegais — ou seja, sem licença válida no Reino Unido. O pedido foi revelado pelo The Guardian na quinta-feira (15/5) e acende um debate urgente sobre a presença de operadoras não reguladas no esporte mais assistido do mundo.
Apostas ilegais presentes em 18 dos 20 clubes da Premier League
O levantamento apresentado pela Entain é contundente: durante a última temporada, 18 dos 20 clubes da liga exibiram publicidade de operadoras sem autorização da UK Gambling Commission. A exposição ocorre por placas de LED, ativações digitais e outros ativos comerciais visíveis nas transmissões internacionais — justamente o canal de maior alcance dessas plataformas. Conforme reportado pelo BNL Data, a iniciativa da Entain marca um passo inédito de uma operadora licenciada ao acionar diretamente o regulador do futebol inglês sobre o tema.
Entre os clubes citados pela imprensa britânica estão Everton (Stake), Sunderland (W88), Fulham (SBOTOP), Bournemouth (bj88) e Burnley (96.com). Nenhuma dessas operadoras possui licença para atuar no mercado inglês.
A CEO da Entain, Stella David, foi direta: “Os clubes da Premier League estão sendo patrocinados por empresas de apostas ilegais.” Ela cobrou ação imediata do IFR e do governo britânico, argumentando que o regulador tem poder para encerrar essa prática de forma imediata.
Regulacao como vantagem competitiva — e responsabilidade
O movimento da Entain não é desinteressado, mas também não é menos legítimo por isso. Operadoras licenciadas arcam com custos de conformidade, pagam impostos e seguem regras rígidas de proteção ao apostador — enquanto concorrentes ilegais operam sem essas obrigações e ainda conquistam visibilidade nos maiores estádios do mundo.
O contexto regulatório já estava em ebulição: a própria Premier League determinou o fim dos patrocínios master de apostas na frente das camisas a partir de 2026/27, em resposta ao aumento do jogo problemático entre jovens britânicos. A pressão da Entain amplia esse debate para além das camisas — e aponta para brechas que seguem abertas nos demais ativos de comunicação dos clubes.
O tema ressoa além da Inglaterra. No Brasil, onde a regulação do setor ainda consolida seus primeiros passos, bets ilegais seguem ativas mesmo após a regulação, indicando que o desafio de garantir um mercado justo e seguro é global. A decisão do IFR sobre o pedido da Entain deve definir um precedente importante para ligas e reguladores ao redor do mundo.




