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Rio de Janeiro rastreia vício em apostas em consultas

No Rio de Janeiro, a Secretaria Municipal de Saúde passou a rastrear o vício em apostas durante as consultas de rotina nas unidades de Atenção Primária. O protocolo foi adotado em agosto de 2026 nas Clínicas da Família e nos Centros Municipais de Saúde (CMS), com o objetivo de identificar casos de dependência de jogos e oferecer atendimento tanto ao apostador quanto a seus familiares.

A iniciativa foi relatada pelo Globo Online e representa uma mudança na abordagem de saúde pública em relação ao jogo compulsivo. O Rio de Janeiro é a capital brasileira com o maior percentual de apostadores, e as próprias equipes de saúde notaram o crescimento na procura por atendimento relacionada ao problema antes mesmo da implantação do protocolo.

Contexto e alcance da intervenção

O protocolo adota uma lógica de rastreamento semelhante à usada para depressão e tabagismo: duas perguntas simples são aplicadas durante todos os atendimentos, com as respostas registradas no prontuário eletrônico. Um resultado positivo em qualquer item aciona uma avaliação mais aprofundada pelos profissionais. O modelo de linguagem natural utilizado pela SMS (NIA) para a análise de prontuários ajuda a identificar relatos de sofrimento associados à dependência de apostas. O objetivo é oferecer encaminhamento adequado e tratamento quando indicado, além de suporte aos familiares.

Os primeiros resultados surgiram apenas uma semana após a aplicação do questionário. Entre 3.070 pacientes que responderam, 22 relataram sentir necessidade de apostar, o que representa cerca de 0,7% do total. Outros 15 admitiram ter mentido a familiares para esconder quanto gastaram com jogos. Observa-se que o caso mais frequente envolve homens na faixa etária entre 18 e 39 anos, quando considerado o conjunto de relatos coletados nos prontuários. A maior parte dos relatos foi capturada na rede de Atenção Primária, evidenciando o potencial de detecção precoce em contextos de assistência básica.

Perfil dos pacientes e dos familiares afetados

Antes da implantação, o Núcleo de Inteligência Assistencial da SMS (NIA) analisou prontuários com auxílio de um modelo de linguagem natural e identificou 1.368 pessoas com relatos de sofrimento associado a situações que sugeriam dependência de apostas. A maioria era homem, com idade mediana de 37 anos, e 53% tinham entre 18 e 39 anos.

Entre os familiares afetados, o cenário era basicamente o oposto: esse grupo representava cerca de 35% dos relatos, e 85% eram mulheres, com idade mediana de 45 anos, predominantemente esposas ou mães dos apostadores. A análise também identificou ao menos 25 pacientes com menos de 18 anos, sendo 22 meninos. Embora menores de idade não possam apostar legalmente, esses registros foram considerados compatíveis com a expansão dos aplicativos de apostas entre adolescentes.

Atendimento, encaminhamentos e teleatendimento

Após a identificação do problema, o paciente recebe uma avaliação clínica e um plano terapêutico definido conforme o grau de risco. Casos mais leves recebem orientações, enquanto os mais graves são acompanhados por equipe multiprofissional e pela atenção psicossocial. O cuidado se estende aos familiares, mesmo quando o próprio apostador recusa iniciar tratamento.

Os agentes comunitários de saúde (ACS) e os demais profissionais das unidades passaram por treinamento específico sobre o tema, com capacitação oferecida pelo Ministério da Saúde. Em março de 2026, o Ministério criou um serviço de teleatendimento em saúde mental voltado especificamente a jogadores. Desde então, o serviço acumula mais de 27 mil cadastros, sendo quase 9% das buscas originárias do Rio. O serviço oferece até 100 mil teleatendimentos mensais, gratuitos e sigilosos, para pessoas com vício em apostas e suas redes de apoio. O acesso é feito pelo aplicativo Meu SUS Digital, na opção Miniapps, selecionando Agora Tem Especialistas em Saúde Mental para Quem Aposta, após autoteste, que direciona o usuário à plataforma da AgSUS para agendamento da primeira consulta. Além disso, em todo o país, UBS e CAPS também já fornecem auxílio a pessoas com problemas relacionados a jogos.

Iniciativas no Rio de Janeiro e movimentos de apoio

O Programa de Dependências; Droga, Jogo e Álcool da Universidade texto ancora relevante do Rio de Janeiro (UFRJ) também iniciou projeto específico para atender pacientes com vícios em jogos e apostas virtuais. Marcelo Santos Cruz, médico psiquiatra e coordenador do grupo, relatou crescimento na procura por atendimento de pessoas com problemas graves provocados pelo jogo. Ele destacou que as apostas atuais se diferenciam por permitir jogadas rápidas no celular, com atividade 24 horas por dia, o que aumenta a complexidade do tratamento.

O Grupo Jogadores Anônimos (JA) é outra opção de apoio disponível. A entidade atua de forma independente e realiza reuniões diárias em todo o país, presenciais ou virtuais. No domingo (30/8), o Globo Online acompanhou uma reunião do grupo. Breno (nome fictício), empresário de 37 anos, contou que esteve no JA há oito dias, depois de procurar psiquiatra e psicólogo; ele relatou que ficou três meses sem jogar, achou que havia vencido, mas retornou. Segundo ele, o JA é um espaço onde a doença é reconhecida como tal e tratável. No site do JA, é possível realizar um autoteste de 20 perguntas para identificar o vício e localizar grupos e horários de reunião disponíveis.

Para reportar, acompanhar e entender esse movimento, a cobertura do Bang de dados reforça a ideia de que o RJ está na vanguarda de identificar dependência de apostas em consultas de rotina e oferecer suporte contínuo aos pacientes e às famílias afetadas. Mais informações podem ser encontradas em texto ancora relevante. Leia a fonte original fonte original.

João das Bets

"Sou um escritor movido pela paixão por tecnologia, apostas e inteligência artificial. Adoro explorar e compartilhar conhecimentos, traduzindo ideias complexas em conteúdo acessível e inspirador. Sempre em busca de novas formas de conectar pessoas com inovação."

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