O MPF e a ReceitaFederal deflagraram, na sexta-feira (28), operação para apurar evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal envolvendo o grupo NSX, proprietário da BetNacional, plataforma de apostas online, e ligado à Flutter. Foram cumpridos seis mandados de busca e apreensão em João Pessoa, Recife e São Paulo, conforme a Procuradoria, que conduz a investigação por meio do Gaeco. BetNacional e Pixbet sob investigação
Contexto da investigação e empresas envolvidas
A Procuradoria aponta que a plataforma movimentou mais de R$ 5 bilhões em 2025 e houve bloqueio de bens de R$ 191 milhões na ação desta sexta. Em nota enviada ao jornal Folha de S.Paulo, a NSX Brasil confirma que recebeu uma diligência da Receita Federal em seu escritório no Recife, sem acesso aos autos para comentar o conteúdo. A BetNacional é descrita como subsidiária da Flutter, empresa listada na Bolsa de Nova York, que já pagou R$ 2 bilhões por 56% da companhia brasileira, segundo a consultoria H2 Gambling Capital. A Flutter é apresentada como controladora da BetNacional na operação brasileira. Fonte.
A secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, Daniele Cardoso, informou que a BetNacional “permanece em funcionamento, ao menos por enquanto”, devido a dois processos sancionadores que podem resultar na proibição de funcionamento. Ela mencionou ainda que o órgão aguarda o compartilhamento de provas pelo Poder Judiciário sobre a operação desta sexta. Leia mais sobre casos semelhantes envolvendo BetNacional e Pixbet em BetNacional e Pixbet sob investigação e Klein contesta PIB das bets.
Os fundadores da BetNacional, João Guilherme Monte Studart e Eduardo Lima Monte, seguem no comando da operação no Brasil, com a sede no exterior e netos de Léo Monte, empresário nordestino do setor hoteleiro. Segundo o MPF, as apurações sugerem irregularidades tributárias e financeiras ocorridas antes e depois da regulamentação do setor de apostas de quota fixa no Brasil. Não houve pessoas físicas visadas nesta fase da investigação.
Implicações regulatórias e próximos passos
Apesar de a operação ter como foco o grupo NSX Brasil, a Receita Federal indicou que investigações apontam a existência de uma empresa de fachada em Curaçao para simular atividades fora do Brasil, em período anterior à regulamentação das bets. Contudo, a Receita afirma que empresas nacionais vinculadas ao grupo seriam as responsáveis pela operacionalização das atividades no Brasil, incluindo o uso de fintechs para dificultar o rastreamento de fluxos financeiros e identificar os beneficiários finais.
“Embora o grupo investigado tenha obtido autorização para atuação no segmento a partir de 2025, há indícios de que a exploração da atividade já ocorria anteriormente em território nacional, sem autorização e sem o recolhimento dos tributos devidos”, aponta o comunicado da Receita. Uma das linhas de apuração envolve a declaração ao Fisco de despesas supostamente fictícias; a operação desta sexta ficou conhecida como Jogo das Sombras.
A Receita Federal também instaurou 11 procedimentos fiscais para aprofundar a apuração dos indícios identificados, estimando uma potencial recuperação de aproximadamente R$ 300 milhões aos cofres públicos. Robinson Barreirinhas, secretário da Receita Federal, afirmou que a empresa “explorou ilegalmente jogos no Brasil” e que existem “indícios fortes de continuidade de ilicitudes, mesmo após a regulamentação dos jogos e apostas no país”. O Fisco cobra R$ 300 milhões em tributos da companhia.
Jogo Oculto e alcance da investigação
Leonardo Baptista, CEO da Pay4Fun, uma fintech do setor, comentou que instituições de pagamento brasileiras, na época, enviavam depósitos para empresas offshore via remessas, por meio de operações de câmbio ou stablecoins, descrevendo um desenho comum de operacao pré-regulamentação. Ele ressaltou que o desafio era como retirar lucros e pagar fornecedores locais, incluindo contratos de marketing, por meio de empresas sediadas no exterior, conforme infográfico da Receita.
Na primeira fase, a operação denominada Jogo Oculto mirou apenas o conglomerado NSX Brasil, sem alcançar fornecedores; no caso da Pixbet, prestadores de serviço, como o advogado Nelson Wilians, também estiveram entre os alvos, conforme reportagem do jornal Folha de S.Paulo. Leia mais sobre o assunto no portal de notícias utilizado como referência.
Para ampliar o alcance da apuração, a investigação envolve ainda outros instrumentos fiscais e possíveis desdobramentos regulatórios. Em resumo, o foco é mapear a circulação de recursos nacionais e internacionais, identificar beneficiários finais e avaliar a regularidade tributária das operações anteriores e atuais do grupo NSX Brasil, ligado à BetNacional e à Flutter.
Além disso, o conteúdo desta matéria cita informações de fontes públicas e reportagens anteriores sobre BetNacional e Pixbet, incluindo notas da imprensa especializada e documentos oficiais disponíveis até o momento. Para quem acompanha o setor, o caso reforça a necessidade de transparência nas estruturas de operação de plataformas de apostas com atuação no Brasil.
Contato com a redação: para leitores que desejam entender as implicações do caso, este texto traz os fatos divulgados pelas autoridades até o momento, sem especulações adicionais sobre desfechos regulatórios. A atualização sobre o andamento da investigação será publicada assim que houver novas informações públicas disponíveis.
Para mais informações sobre o tema, consulte também fontes oficiais e páginas institucionais como Receita Federal e materiais de investidores da Flutter Flutter Entertainment.
Confira os detalhes na fonte original.




