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BIS SIGMA reúne mais de 600 representantes em João Pessoa para discutir união das apostas e loterias no Nordeste

O BIS SIGMA reuniu mais de 600 representantes em João Pessoa, nesta quarta-feira (16/9), para discutir a união do setor de apostas e loterias no Nordeste. Realizado no Resort Tauá, o evento debateu regulação, integridade, combate ao mercado ilegal e o papel social das loterias no Brasil.

A primeira edição nordestina do encontro teve formato bilíngue e recebeu convidados da América Latina. A organização contou com a parceria institucional da LOTEP, da CIBELAE, das Loterias Caixa e da Lottopar. Mais informações sobre o evento foram divulgadas pela fonte original da cobertura.

A escolha de João Pessoa foi relacionada à presença crescente do Nordeste no mercado de apostas de cota fixa. A região reúne 37 marcas e 14 empresas instaladas, além de concentrar companhias de tecnologia e plataformas em João Pessoa, Campina Grande e Recife.

Organizadores defendem união entre os elos do setor

O presidente do BIS SIGMA, Flávio Figueiredo, afirmou na abertura que o setor enfrenta dificuldades e precisa reagir de forma conjunta. Segundo ele, o evento foi pensado para aproximar operadores, provedores, meios de pagamento, mídia e outros participantes da cadeia em torno de uma voz comum.

“Estamos em sintonia aqui, que o nosso setor está apanhando e apanhando muito nesses últimos tempos. Se a gente não fizer alguma coisa, se não partir daqui alguma mudança, vai ficar complicado para todos nós”, declarou Figueiredo.

O cofundador Carlos Cardama resumiu a mensagem central do encontro em uma palavra: união. Para ele, os participantes precisam atuar juntos para construir um mercado mais forte.

Os dados apresentados nos painéis ajudaram a explicar a preocupação com o mercado ilegal. A estimativa é que operações sem autorização representem entre 38% e 44% do total de apostas no Brasil, com média de 41%.

Mais de 56 mil sites ilegais já foram derrubados em acordo com a Anatel. Mesmo assim, 84% das propagandas de apostas no Instagram ainda seriam de operadores sem licença, conforme os números apresentados durante o BIS SIGMA.

LOTEP e Loterias Caixa destacam impacto social

O superintendente da LOTEP, Petrônio Rolim, disse que a atividade deve ser associada à proteção do apostador e do cidadão. A autarquia paraibana tem mais de 70 anos de história e defendeu que quem deseja apostar utilize uma plataforma regulada.

“Essa atividade merece o nosso respeito porque contribui economicamente e defende o apostador, defende o cidadão. Quem quer jogar tem que jogar em uma plataforma regulada”, afirmou Rolim.

O presidente das Loterias Caixa, Renato Siqueira, apresentou dados da operação federal, que está presente em 99% dos municípios brasileiros e conta com mais de 13 mil pontos de venda.

Em 2025, as Loterias Caixa distribuíram R$ 9,2 bilhões em repasses sociais. No mesmo período, a instituição registrou 238 milionários, enquanto a Lotofácil sorteou R$ 323 milhões.

Siqueira afirmou que o desafio é modernizar a operação sem perder confiança, credibilidade e capacidade de transformar a vida das pessoas. A rede lotérica brasileira, com aproximadamente 13 mil pontos, foi descrita no evento como a maior rede física de distribuição do país.

Javier Milan, presidente da CIBELAE e da Lotería Nacional de Beneficencia de El Salvador, apresentou a experiência de seu país. Depois da aprovação de uma nova lei em 2021, as raspadinhas passaram de 4 milhões para 26 milhões de unidades, enquanto o modelo omnicanal incorporou apostas online e cassino.

No Paraná, a Lottopar acumula cerca de um ano e meio de operação. Segundo o diretor-presidente Daniel Romanovski, a empresa já arrecadou mais de R$ 60 milhões e pagou mais de R$ 610 milhões em prêmios.

Romanovski defendeu uma mudança na forma como a indústria se posiciona publicamente. O painel sobre loterias estaduais também tratou da integração entre estruturas federais e estaduais, com intercâmbio de experiências e tecnologias sem transformar os produtos em modelos iguais.

Painel aponta dificuldades para a integridade esportiva

O debate sobre integridade nas apostas esportivas apresentou números relacionados à manipulação de resultados. O Brasil responde por 5,5% dos casos suspeitos registrados globalmente, segundo os dados exibidos no evento.

Outro dado citado foi a situação financeira dos atletas: 98% dos profissionais brasileiros recebem menos de um salário mínimo. A condição foi apresentada como um fator de vulnerabilidade no ambiente esportivo.

O procurador Caio Porto Ferreira afirmou que a integridade não depende apenas de empresas de monitoramento. Para ele, a cooperação entre instituições é necessária para produzir resultados.

Ferreira participou do painel ao lado de Carla Dualib, representante da Digitain no Brasil, e de Murilo Passarinho, diretor de relações governamentais da ANJL. Passarinho declarou que o setor sofre pressão do mercado ilegal e de tentativas de infiltração do crime organizado.

Os participantes defenderam uma cooperação mais intensa entre operadores, reguladores, Ministério Público, polícias e entidades esportivas. Também foi proposta a criação de uma fonte única de dados para reunir informações relevantes ao combate à manipulação.

O Código Brasileiro de Justiça Desportiva foi citado como desatualizado. Os debatedores avaliaram que as punições previstas para casos de manipulação ainda são brandas.

Vaquejada e VLTs entram na pauta do evento

A vaquejada foi apresentada como uma modalidade em expansão no mercado de apostas. O sportsbook movimenta cerca de R$ 700 milhões por ano com a atividade, especialmente no formato X1.

A regulamentação das apostas de cota fixa para a modalidade está prevista a partir de abril de 2026. Vaidebet e BetEsporte, que já patrocinam a vaquejada, foram citadas como operadoras que podem ampliar a presença nesse segmento.

Os participantes apontaram como desafios a preservação da tradição cultural, a profissionalização da modalidade, a disponibilidade de dados, a padronização, a transmissão dos eventos e o jogo responsável.

Os VLTs, ou video lotteries, também foram discutidos. Carlos Crespo, CEO da Showball, afirmou que o produto deve considerar o caráter social dos espaços frequentados pelos jogadores.

A Showball citou a demissão de 300 funcionários e a perda estimada de 14 mil empregos no setor depois do fechamento dos bingos no país. O caso foi usado como argumento para uma regulação que não repita aquela experiência.

Especialistas afirmaram que a expansão dos VLTs depende da certificação de gabinetes, softwares e plataformas, além de integração e cibersegurança. A previsão apresentada foi de avanços a partir de 2027, depois das eleições.

Participantes rejeitam papel do Nordeste como consumidor

Os painéis também trataram da posição do Nordeste na cadeia de apostas e loterias. Os participantes rejeitaram a ideia de que a região seja apenas um mercado consumidor e destacaram a existência de polos tecnológicos em João Pessoa e Recife.

Entre as iniciativas citadas esteve o Extremotec, em João Pessoa, além do Porto Digital, em Recife. Universidades e mão de obra qualificada também foram mencionadas durante as discussões.

As críticas à concentração da indústria no eixo Sul-Sudeste vieram acompanhadas de pedidos por políticas públicas voltadas à retenção de talentos e ao empreendedorismo local.

A LOTEP apresentou projetos sociais apoiados por seus recursos. Entre eles estão a APD Paraíba, que promove basquete em cadeira de rodas, e o CEDÓ, Centro de Defesa dos Direitos Humanos Oscar Romero, em Santa Rita.

O CEDÓ atende 240 crianças e adolescentes com apoio do programa Criança Esperança. No encerramento do painel, os participantes fizeram um pedido público por um veículo de transporte para os atletas da APD.

O primeiro dia terminou com o Chat4Fun by Pay4Fun & BiS, realizado pela Pay4Fun a partir das 18h30, em uma área externa do local do evento. A programação teve vinho e microfone aberto ao público.

Leonardo Batista mediou a conversa, que contou com Andrea Viana, Alex Galindo, Carla Dualib e Nuno Bispo. O debate abordou o impacto do cenário eleitoral sobre o mercado regulado de apostas, apontado pelos participantes como uma fonte de insegurança jurídica nos meses seguintes.

O BIS SIGMA João Pessoa continuou na sexta-feira (18/9), com painéis sobre lavagem de dinheiro, eleições e o futuro do mercado regulado.

João das Bets

"Sou um escritor movido pela paixão por tecnologia, apostas e inteligência artificial. Adoro explorar e compartilhar conhecimentos, traduzindo ideias complexas em conteúdo acessível e inspirador. Sempre em busca de novas formas de conectar pessoas com inovação."

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