Clubes brasileiros das Séries A a D articulam uma nota conjunta contra o possível veto do governo federal a jogos online e apostas esportivas. A mobilização também envolve bets, veículos de comunicação e detentores de direitos de transmissão, após declarações de Luiz Inácio Lula da Silva aumentarem a percepção de uma proibição.
O documento ainda está em elaboração e calcula perda de R$ 1 bilhão em patrocínios de camisas. Dirigentes avaliam que o impacto total para o esporte brasileiro poderia chegar a R$ 2 bilhões caso o governo interrompa as atividades do setor.
A articulação foi relatada pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL, e ganhou força depois das falas do presidente. A frente contrária ao veto reúne clubes de futebol, casas de apostas e empresas de comunicação que possuem direitos de transmissão.
Seis clubes do Rio discutem reação ao governo
No Rio de Janeiro, Flamengo, Fluminense, Vasco, Botafogo, Volta Redonda e Madureira têm reunião marcada para esta quinta-feira (17/9). O encontro deve tratar da posição conjunta diante da possibilidade de proibição e da articulação política dos times.
Os dirigentes trabalham com a avaliação de que Lula conhece o custo eleitoral de desagradar ao futebol brasileiro. Por isso, a estratégia dos clubes busca apresentar as perdas financeiras associadas a um eventual veto e pressionar contra a medida.
Bets avaliam processos e alertam para avanço do mercado ilegal
As empresas de apostas também preparam uma reação judicial. As operadoras afirmam ter desembolsado R$ 30 milhões em outorgas pagas ao Estado para obter o direito de explorar apostas e cassinos online. Caso o veto seja confirmado, a previsão é que sejam apresentadas ações para cobrar do governo o ressarcimento desses valores.
Clubes e operadoras ainda sustentam que a proibição pode ampliar a atuação de empresas clandestinas. Segundo o argumento compartilhado pelo setor, os apostadores seriam direcionados a plataformas ilegais que já operam no país, apesar do bloqueio de sites promovido pelo governo.
Internamente, dirigentes também criticam a condução do governo. Na avaliação deles, o setor passou três anos sem avanço em regulamentação ou restrição e só passou a enfrentar uma possível proibição agora, com as eleições próximas. Por essa razão, os clubes classificam a iniciativa como uma medida de motivação eleitoral.
Os veículos de comunicação que mantêm direitos de transmissão e participação em apostas esportivas formam outra frente de resistência ao possível veto.




